domingo, 3 de outubro de 2010

Imóveis: cobranças mesmo sem entrega

  • 3 de outubro de 2010 |
  • 12h07 |
  • Categoria: Sem categoria

    Márcia de Chiara

    A frustração de não receber o imóvel no prazo estabelecido no contrato é motivo de indignação de consumidores, que traçaram planos contando que o combinado fosse cumprido.

    “O que eu estou mais indignada é que a construtora já começou a cobrar o condomínio antes mesmo de entregar o apartamento”, conta a gerente administrativa Alessandra Cavalcante dos Santos, de 32 anos. Ela acompanhou passo a passo a compra de um apartamento de 185 metros quadrados da construtora Even pelo pai, o comerciante Manoel Alves dos Santos, numa das cinco torres de condomínio de alto padrão na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

    O imóvel foi adquirido na fase de pré-lançamento em 2008. Um dos motivos que levaram seu pai a fechar o negócio foi a proximidade do imóvel do local de trabalho. Dono de um box de frutas na Ceagesp, o comerciante poderia ir a pé para o trabalho.

    Na época em que o negócio foi fechado, a previsão era de que o apartamento seria entregue em novembro do ano passado. Mas, segundo Alessandra, no fim de 2009, a construtora informou os compradores que, devido a problemas de falta de mão de obra, de materiais de construção e excesso de chuvas na fase de fundação, o empreendimento seria concluído em março deste ano.

    De lá para cá foram marcadas várias vistorias pela construtora, mas até agora o imóvel não foi entregue, apesar de seu pai ter assumido o financiamento bancário e o primeiro boleto de pagamento do condomínio já ter chegado. “Contando com a entrega do imóvel na segunda data informada, meu pai até vendeu o carro”, diz Alessandra. Agora, explica, ele, que mora na zona norte, tem de pegar táxi ou carona todo dia para ir trabalhar.

    Enquanto isso, diz Alessandra, a construtora que até fez uma festa simbólica para marcar a entrega do produto em meados de junho, não dá previsão de quando vai entregar o imóvel. Das cinco torres que fazem parte do empreendimento, três foram entregues e duas não, conta a gerente administrativa. Além disso, parte das áreas comuns não estão prontas. “Por fora o nosso bloco está pronto, mas falta o acabamento no apartamento.”

    Na opinião de Alessandra, se realmente o atraso tivesse sido provocado pelo excesso de chuvas na época da fundação da obra, três blocos não poderiam estar prontos hoje.

    Procurada pelo JT, a Even informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o excesso de chuvas afetou o cumprimento do prazo. Mas, “o prazo de conclusão contratual (junho de 2010) foi integralmente respeitado”.

    Segundo a construtora, das 350 unidades do empreendimento, 56% delas têm a entrega das chaves confirmada, 23% aguardam conclusão de processo para obter financiamento, 18% das unidades têm entregas pendentes em função de vistorias e 3% estão em fase de renegociação.

    “Falta fiscalização do governo nessas obras vendidas na planta”, afirma o dentista Kleber Luiz Bortoleto, de 37 anos. Em 2006, ele comprou uma sala comercial na planta, em Águas Claras, cidade satélite de Brasília.

    A intenção era montar o consultório no local. “Comprei uma sala no 13º andar, mas observava que o prédio não saia do 4 º andar. Daí, deixei de pagar”, conta o profissional que, entre a entrada e parcelas desembolsou cerca de R$ 30 mil até dezembro de 2008. O preço total da sala era R$ 114 mil. “A obra continua parada até hoje.”

    Ele conta que a construtora saiu do País e, na prática, ele confiou na imobiliária que intermediou a venda, pois ela tinha nome no mercado. Bortoleto está entrando com processo na Justiça contra os empreendedores. O saldo do negócio foi negativo: ele teve de pagar aluguel e só agora comprou uma sala comercial.

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