domingo, 3 de outubro de 2010

Imóveis: empresas esticam prazos e vão produzir materiais

Márcia de Chiara

Construtoras esticaram em seis meses as datas de entregas dos lançamentos atuais, buscam métodos eficientes para erguer rapidamente mais edifícios e até investem na produção de materiais para adequar a produção imobiliária aos gargalos.

A Tenda, por exemplo, decidiu instalar uma fábrica de blocos de concreto dentro de um o canteiro de obras em São Luís (MA), conta o diretor de Incorporação da companhia, Antonio Carlos Ferreira. A empresa também aposta no uso de formas de alumínio para fazer as estrutura e as paredes. Esse método acelera o ritmo de produção com menor número de trabalhadores.

Ferreira diz que o mercado como um todo enfrenta hoje problemas para cumprir prazos, especialmente no Norte, onde há dificuldade para obter materiais e mão de obra. No caso da sua empresa, ele explica que as obras atrasadas ainda estão dentro do período de carência de 180 dias previsto no contrato.

“Existe o atraso sim e as construtoras até se reuniram para discutir a questão”, conta o presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin. Ele alega que a construção civil é uma indústria “muito artesanal” e o grau de imprevisibilidade é alto. “A situação piorou por causa do boom imobiliário”, acrescenta.

O executivo destaca que os entraves burocráticos aumentaram. Hoje, segundo ele, leva mais tempo para obter Habite-se e certidões para registrar o imóvel no cartório, fora as dificuldades de falta de mão de obra, materiais e equipamentos.

“Estamos preocupados e treinando o pessoal de atendimento para não ter surpresa nos plantões de vendas”, diz o executivo a respeito dos atrasos.

Segundo o diretor Economia do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, as construtoras ampliaram de 18 para 24 meses o prazo médio previsto para entrega dos lançamentos que são feitos atualmente. Isso para não ter problemas de quebra de contratos.

Procurada pelo JT, a MB Engenharia, apontada pelo Ibedec como uma das construtoras com mais obras atrasadas, informou, por meio da sua assessoria, que apenas uma das obras na região em que atua, o Centro-Oeste, está atrasada. O motivo é a dificuldade de expedição do Habite-se, informou a empresa.

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