domingo, 10 de outubro de 2010

Mais um Domingo longe de casa, culpa de quem?

Pois é ... mais um domingo ao qual assim como vc me encontro longe de casa, eu estou na casa dos meus avós maternos, mas tem gente na casa dos sogros, gente em casa alugada e o dono pressionando para que a pessoa saia pois o contrato já venceu, pessoas que ainda permanecem como noivos pois tiveram que adiar o casamento, pessoas que já estão distribuindo os convites pois o casamento ocorre daqui 02 / 03 meses.
E pessoas que já se foram sem poder conhecer seu cantinho.
E continuamos ... mais um domingo longe de casa, sem ter paz, conforto, saber a hora de fazer seus deveres, comer e cozinhar o que quiser, arrumar ou não a pia de louça da pizza de ontem.
Enquanto eles ... todos em suas casas pouco se lixando para nós.

Sabe o que mais me doi?
É ver que tem pessoas sofrendo, vc olhar nos olhos daquele que será seu vizinho e não ver o brilho no olhar dele.
Doi e muito ouvir nem que seja um pouquinho cada história, o sonho sendo desmanchado, virando pesadelo.
Pais com criança no colo e a criança sem entender o que está se passando e os pais aflitos pois não tem mais pra onde correr, é sentar e esperar.
Dói muito, mesmo sabendo que eu também estou nesse mesmo barco, mas de mãos atadas, com provas suficientes, sabendo onde está o erro e não poder acolher essas pessoas como eu gostaria.
Só posso mostrar os erros dessa maldita empresa que está simplesmente desmoralizando esses HOMENS, MULHERES, CRIANÇAS, SENHORES, SENHORAS E ADOLESCENTE, deixando sua auto-estima lá em baixo.
O pior é quando vem um amigo e ou um parente e bate no teu ombro e pergunta do teu apartamento.
Dá vontade de chorar, de se trancar em um banheiro e se MATAR de tanto chorar .... se afogar em lágrimas, pois estamos de mãos atadas.
A pressão psicológica que os funcionários da TRISUL fazem com todos nós está chegando a um nível de que revolta é pouco, a vontade de mandar fuzileiros, carros bombas ou até cometer uma loucura ... é muito grande.

Eu já pensei ... ou sonhei, já nem tenho mais discernimento psicológico se foi um surto ou um sonho, pensei em sequestrar a vaca da Tamara, o viado do Antonio e o BIXA do Tony e pedir em troca simplesmente a chave do apartamento que é meu por direito.

Estamos surtando, estamos adoecendo, e isso é desumano, cruel, impiedoso, degradante.
Só digo uma coisa ... eu tomei minha decisão, corri atrás, e NÃO VOU DEIXAR BARATO.

E sabe por qual motivo?
Pois quero deixar a minha impressão naquela empresa, marcada com meu nome na justiça, mostrar que eles não são DEUSES soberanos.
Dinheiro não é, pois o mesmo trás conforto, luxo mas não felicidade, a felicidade é momentânea, mas não duradoura, pois se acabará com o dinheiro um dia.
Simplesmente o jeito mais fácil de atingir uma empresa com esse porte é no bolso, fazer doer, pois é aí que os investidores vão se tocar e ver e procurar o que está errado, ou você pensa que eles tem acesso a essas reclamações?
Claro que não, são muitas vezes tão enganados com números quanto nós, é só quando estoura uma bomba, uma reclamação no jornal ou um processo, é que eles se dão conta de como o nome do seu império está sujo.

"E ... Mais um domingo longe de casa!"

Minha lágrima tem a cor do barro
deixado pelo caminho,
deixando em silêncio
o sofrimento de muitos pequenos,
dos calados em meio ao entulho,
muitos que nunca mais acordarão.

Minha lágrima tem a cor do negrume
que suja minha alma,
diante do sofrimento humano,
diante do esquecimento humano,
diante deste amor que endureceu.

Minha lágrima tem o sabor amargo
das esperanças que minguam
ante a violência diária das casas e ruas
que o homem é capaz de prover,
contra a terra que deveria servir e cultivar,
contra o próximo a quem deveria amar.

Minha lágrima tem a cor do sangue
dos mortos deixados pelas ruas,
daqueles que ainda hão de morrer
nas mãos do descaso de todos,
por causa da vergonha
dos que não se desnudam do egoísmo.

Minha lágrima tem o sabor amargo da derrota,
daqueles que nunca experimentaram a vitória,
nem ao menos a almejam
por não haver quem lhes dê
o sentimento de ser um vitorioso
ante a todos os fracassos do caminho.

Minha lágrima tem o cheiro do petróleo,
tem o sofrimento dos animais sujos,
tem a dor daqueles que tentam respirar em vão,
tentam achar o ar que o petróleo em seus pulmões
não permite encontrar.

Minha lágrima tem a sujeira do nordeste,
não apenas da dor que o rio causou
mas daqueles que por anos
nem sequer sabiam que nordeste havia.

Minha lágrima tem o tamanho das árvores
que caem diariamente em nome da ganância,
da serra que deixa pelado os corações dos homens
e do monte que em breve deixará de ser belo.

Minha lágrima tem a dor da esperança
que insiste em persistir,
como a mãe que acredita no retorno do filho perdido,
da mãe que crê que o bandido poderá ser bom,
de que dias melhores poderão surgir,
de que a humanidade um dia irá mudar.

Minha lágrima tem a dor da fé,
que tenta remover as montanhas da intolerância,
busca vias para encontrar a paz entre os homens
e encontrar uma nova canção para os corações,
que valorize o outro acima de si mesmo,
acima da verdades estampadas em forma de bandeiras.

Minha lágrima tem molhado os lençóis
sem saber se irão acabar,
sem imaginar como será o amanhã,
se tudo continuar do jeito que está,
apenas sei que...

...Minha lágrima tem o tamanho do meu coração,
que tem ficado pequeno dia após dia...

Thiago Azevedo

Nenhum comentário: